Como orientar o adolescente sobre o consumo de álcool?

Apesar de proibida por lei no Brasil a venda e o consumo de álcool a menores de 18 anos, na prática não funciona. Primeiro, por não haver fiscalização, segundo e, talvez, o mais preocupante, pela falta de conscientização e conhecimento por parte da sociedade e da própria família de seus males.

A pesquisa Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), feito no Brasil em 2016, avaliou 74.589 adolescentes de 1.247 escolas em 124 municípios brasileiros. Os resultados mostraram que cerca de 20% dos adolescentes consumiram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez nos últimos 30 dias e, desses, aproximadamente 2/3 o fizeram em uma ou duas ocasiões no período. Entre os adolescentes que consumiam bebidas alcoólicas, 24,1% beberam pela primeira vez antes de 12 anos, e os tipos de bebidas alcoólicas mais consumidas pelos adolescentes foram os drinques à base de vodca, rum ou cachaça e a cerveja.

Em festas e shows para adolescentes e até mesmo em encontros familiares, o consumo de bebidas alcoólicas é por vezes liberado e geralmente com a conivência dos adultos que fingem que nada percebem. Os jovens querem participar de seus grupos e por muitas vezes pela pressão externa acabam cedendo à bebida para diminuir a timidez e a insegurança. Mas é preciso conversar e orientar seu filh@.

Danos cognitivos e comportamentais:

Poucos conhecem os danos que o consumo da bebida precoce pode causar, tais como o prejuízo ao desenvolvimento cerebral e mental que causarão repercussões durante a vida adulta. O consumo de bebidas alcoólicas compromete sobretudo a região cortical, afetando negativamente o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do indivíduo.

É válido lembrar também que o uso de álcool na adolescência costuma ser acompanhado de outros comportamentos de risco para a saúde, como o uso de cigarro e de drogas ilícitas, como a maconha, além de comportamentos de risco sexual.

A Sociedade Brasileira de Pediatria produziu algumas recomendações para pais e educadores sobre o consumo de álcool que republicamos aqui:

1- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante todo o período da gestação e amamentação.

2- Alertar sobre as consequências do uso precoce do álcool e de outras drogas legais e ilegais no corpo humano, especialmente durante as fases de crescimento e desenvolvimento cerebral das crianças e adolescentes.

3- Evitar a glamorização das “bebedeiras” nas festas de família e a noção de que “beber cedo é motivo de orgulho” para os pais, que é a distorção do modelo referencial sobre as culturas das famílias.

4- Estar consciente sobre as pressões publicitárias e de marketing que usam mensagens estereotipadas induzindo que “sem bebidas alcoólicas não há festa” e que “beber relaxa e traz felicidade”.

5- Proibir a oferta e o consumo de bebidas alcoólicas em festas de aniversário e outras celebrações que tenham a participação de crianças e adolescentes.

6- Conversar com os filhos sobre a publicidade na TV e suas duplas mensagens, que escondem o lado negativo e prejudicial à saúde (aprender e ensinar sobre análise crítica das propagandas).

7- Não utilizar logos de bebidas alcoólicas, como as cervejas, em camisetas e outros produtos, exemplo de marketing que favorece o consumo precoce e o uso excessivo entre adolescentes.

8- Reforçar o papel dos pais e as regras de convívio familiar, no cumprimento da lei de não permitir o uso de drogas e bebidas alcoólicas, como modelo referencial entre as gerações.

9- Alertar sobre os riscos de desidratação e de falta de alimentação em shows e eventos, festas, baladas à noite, finais de semana ou nas férias. Estimular o consumo de água. Estabelecer um telefone de contato para qualquer emergência. Alerta sobre vômitos, tonteiras e coma alcoólico.

10- Construir uma rede de apoio com outros pais, com a escola e outros responsáveis para o planejamento das estratégias de prevenção, supervisão e cuidados durante as festas e outras atividades/eventos culturais ou comunitários.

A equipe multidisciplinar da Clínica de Adolescentes tem expertise profissional no assunto sobre cuidados à saúde dos adolescentes e jovens e está à disposição para ajudar.

Dra. Evelyn Eisenstein, pediatra e hebiatra com mais de 40 anos de experiência e diretora médica da Clínica de Adolescentes

 
 
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